COMUNICAÇÕES EM PEDROGÃO GRANDE (parte II)

Questionam-me frequentemente como poderia ter havido comunicações em Pedrogão Grande:

  1. A rede SIRESP deveria ter sido usada somente como rede Estratégica e deste modo teria cumprido a sua missão se para o local tivessem sido enviadas as duas pick.-up´s da ANPC que alegadamente estão inoperacionais, ou em alternativa uma das viaturas da GNR que dispõe de link SIRESP para VHF convencional;
  2. Se todos os operacionais tivessem rádio de VHF Banda-Alta haveria alternativa quer através do repetidor B Lousã, quer através do repetidor B-candeeiros, ou mesmo através do repetidor B-Estrela. Porém o B-Lousã já estava com algum tráfego resultante do incêndio em Góis, que inteligentemente se socorreram do VHF convencional. Mas a maioria das viaturas tinham VHF banda alta, com exceção das do RSB-Lisboa, pelo que não se compreende porque não o usaram;
  3. Todos os canais simplex sejam de manobra táticos ou de comando, deveriam estar monitorizados no posto de comando e estações remotas em viaturas de comando ou outras só com esse propósito, garantindo-se assim que ao invés do que aconteceu nenhum pedido de socorro ou ajuda ficaria sem resposta em vias que embora possam não ser dedicadas ao efeito seriam uma alternativa. Esta resposta na falta de bombeiros para a operação pode ser assegurada até por radioamadores integrados como voluntários de proteção civil e previamente treinados para o efeito. Esta colaboração dos radioamadores deve estar previamente definida para que estes possam articular-se com o CDOS, ou com o posto de comando, de forma integrada sem causar constrangimentos à operação;
  4. Obviamente que para tudo isto funcionar todos teriam de ter rádio VHF com antenas adequadas à operação em meio florestal (coisa que não têm e nunca tiveram), mas também teria de haver outra hierarquização e disciplina nas comunicações, nada que não se resolva se para isso houver vontade;
  5. A simplificação de tudo isto passaria por colocar no ar logo após a deteção do foco de incêndio, um helicóptero de observação responsável por ordenar os preventivos cortes de vias, para evitar situações como a "estrada da morte", tendo este meio aéreo que possuir a bordo um repetidor VHF móvel para assegurar a comunicação em terra, bem como um operador dedicado à monitorização de um canal simplex dedicado a pedidos de socorro;
  6. A ligação redundante ao CNOS deve ser efetuada em HF, sem necessidade de qualquer repetidor, rede SIRESP, ou satélite, mas para isso importa que todos os operadores estejam aptos a operar o rádio de HF, uma vez mais aqui qualquer radioamador o saberia operar. É claro que o telefone de satélite pode ser uma solução para este efeito, mas muito dispendiosa e não tão prática;
  7. Importa ainda não esquecer a comunicação com a população, no posto de comando mas fora da viatura de comando, deve haver radiomadores com a missão de monitorizar frequências de radioamador, CB e PMR446, para receção de pedidos de socorro por essa via, basta que se divulgue que assim é para que a população adira;
  8. Importava também que o posto de comando fizesse avisos à circulação rodoviária local e população através dos orgânicos de comunicação social, nomeadamente para os informar das zonas de perigo e medidas de auto-proteção;
  9. Quanto à população o sistema de AVISO por difusão celular poderia ter salvo algumas vidas, mas insiste-se em não se criar. Este sistema possibilitaria avisar a população a qualquer hora do dia ou da noite logo que o perigo surge, na maioria dos casos antes das estações retransmissoras de telemóvel serem afetadas; 
  10. Outro aspeto fundamental é voltar a dotar as corporações de Bombeiros de Rádio CB para possibilitar o contacto entre a população e Bombeiros, uma estação de CB27 completa custa na pior das hipóteses 300€, e atualmente fruto de diploma do atual Governo dispensa licenciamento,  pelo que não compreendo porque não está instalada em todas as corporações de bombeiros, postos e esquadras policiais, e unidades da Cruz Vermelha.

    Deste modo não haveria qualquer possibilidade de falha nas comunicações, desde que se inclua no local um especialista em radiocomunicações de emergência e catástrofe para as gerir, ao invés de Engenheiros de telecomunicações e outros licenciados especialistas nas suas áreas técnicas mas sem noção de como se gerem as comunicações de emergência, ou catástrofe.

    Digo eu, que não percebo nada disto!

    #siresp #anpc #vhf #radiocomunicações

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