Associativismo em Portugal

As associações de radiocomunicações amadoras em Portugal estão todas elas fragilizadas porque, a maioria dos utilizadores dos meios rádio querem beneficiar do investimento de tempo e dinheiro das associações para partilhar conhecimento, mas não querem apoiar essas mesmas Associações das quais beneficiam.

Seja qual for a Associação de radioamadores, de radioperadores, ou até mesmo de proteção civil, nenhuma pode dizer que está na situação ideal em termos de financiamento das atividades que se propõe desenvolver, não porque não desenvolvam em muitos casos trabalho de interesse público, mas porque se criou na sociedade portuguesa o hábito de obter vantagens gratuitas.

No mínimo dos mínimos uma Associação para divulgar o seu trabalho desenvolvido tem custos com um serviço de fornecimento de internet, e esse nem é o maior dos custos, mas sim apenas mais um dos custos e, como é sabido as Associações vivem na maioria dos casos da quotização dos seus Associados, ou seja, sem pagamento de quotas de valor suficiente, as Associações ou param, ou se extinguem, ou abrandam o ritmo de trabalho desenvolvido por constrangimentos de ordem financeira.

Bem se pode dizer que em Portugal as Associações sejam elas do que forem contribuem em muitos casos para o desenvolvimento do país, mas a sociedade civil tem o sentimento de que todas as Associações são financiadas pela estrutura governamental do Estado, quando na realidade na esmagadora maioria dos casos assim não é.

A solução para o problema passa por fechar mais ou menos a “torneira” de informação publica, e isso leva sem dúvida a quem muitos cidadãos se tornem membros de Associações, contudo, habituados à generalizada gratuidade, geralmente assim que se sentem servidos deixam de honrar os seus compromissos para com a sua Associação, motivo pelo qual muitas estão moribundas ou estagnadas devido a esse quase generalizado incumprimento.

As Associações passaram a ter de ter política comercial e estratégia de comunicação, quando até então apenas tinham de se dedicar à operacionalização e materialização das suas causas.

Portugal, bem como a vizinha Espanha, são dos países europeus onde o associativismo sofre mais constrangimentos, ao invés por exemplo da Alemanha onde quase 80% da população está ligada a uma Associação, na maioria dos casos relacionada com o desenvolvimento local, apoio às crianças e desporto.

Para que as Associações nacionais possam voltar a ser o que foram outrora, necessitam de mais Associados, mas não apenas de Associados que paguem quotas, porque as Associações materializam-se através da sumula do trabalho dos seus Associados em prol das causas que estatutariamente se propõe atingir. A participação dos Associados nas decisões é por isso fundamental, contudo também aqui surgem constrangimentos, pois um povo que sofreu e continua a sofrer a supressão de direitos, liberdades e garantias, vive preso ao passado receoso de conquistar liberdades para as quais não está preparado, somos por isso um povo tendencialmente pouco recetivo a mudanças mais ambiciosas no sentido do benefício coletivo, mas sempre recetivo a mudanças geradoras de benefícios individuais. A mentalidade é por isso um dos principais, se não mesmo o principal constrangimento ao desenvolvimento Associativo.

Outro constrangimento é a falta de presença de dirigentes e Associados em encontros tanto de debate quanto de decisão informalizada, visto que as reuniões não regulamentares possibilitam maior agilização conducente à operacionalização e materialização através da informalidade do que as Assembleias Gerais, embora estas sejam indispensáveis para as decisões de maior responsabilidade.  

·        Recuperar o Associativismo nacional depende agora de:

·        Estratégias que evitem repetir os erros do passado que não conduziram a resultados

·        Táticas que rentabilizem o produto do Associativismo

·        Adesão massiva de Associados para dar força e corpo aos objetivos estatutários

·        União de Associações se necessário através da fusão

·        Participação proativa dos Associados em detrimento de mera reação

·        Capacidade de os dirigentes delegarem mais

·        Disponibilidade dos Associados para fazer mais e com mais responsabilidade

Federalismo que reforce a capacidade de negociação com o poder político instituído



É a minha opinião, vale o que vale! 

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